
1945, após voltar
da guerra, Scliar reencontra o amigo Jorge Amado, em São Paulo |
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Já
se passaram mais de quarenta anos do primeiro impacto sofrido por mim ao
contemplar em São Paulo trabalhos de quem era então quase um menino,
apenas um adolescente, recém-chegado do Rio Grande do Sul com telas e
pincéis, uns olhos claros e ternos, o coração pleno de sonhos, um
caráter já inflexível, o dom da amizade, o talento incomum. Eram uns
quadros enormes, ambiciosos, ninguém poderia ficar indiferente ante tanta
força, tamanha decisão, a vocação definitiva de um pintor que ali
estava ainda em gestação, aquela presença que não podia deixar a
mínima dúvida sobre o dia de amanhã. (...)
Humanismo, eis a palavra
que resume o trabalho de Carlos Scliar, no qual a beleza se supera a cada
pincelada."
Jorge
Amado (1981)
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"Paris, julho 1990
Querido Carlitos, amigo fraterno de toda vida: Parabéns pela festa dos
setenta anos. Setenta anos de um jovem e potente criador, mestre da arte
brasileira, orgulho e honra de seus amigos, jovem coração ardente,
lutador incansável pela liberdade e pelos direitos humanos, mestre
Carlos Scliar, querido Carlitos que conheci menino, começo de uma
amizade que só fez crescer e se fortalecer. Com o amor fraterno do
velho
Jorge"
"Meu querido
Scliar:
um beijo muito carinhoso pelos
teus gloriosos 70 anos.
Tua irmã
Zélia"
Jorge
Amado e Zélia Gattai (1990)
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"Zélia,
voltei à minha juventude lendo tuas incríveis lembranças de Senhora
Dona do Baile. Há experiências que nos marcam para sempre.
Consegues, com prodigiosa memória, relembrar um período que foi tão
rico e importante para nós. Te revelas sempre a maravilhosa amiga, a
companheira com quem contávamos em qualquer circunstância.
Te conheci em 1940, um ano antes de conhecer Jorge pessoalmente. Com os
dois vivi momentos marcantes. Fico pasmo com tua incrível memória. Me
diverti imensamente lendo tuas e "nossas" aventuras. O que mais
me espanta é como recrias, em teu livro, o clima daquela época: passa
pelas tuas páginas a malícia, nosso apetite, nossa crença nos valores
que defendíamos, e continuamos defendendo, talvez com alguma ingenuidade,
saudável ingenuidade... mas creio que isso nos marcou a todos, Zélia,
naquela riquíssima vivência.
(...) Zélia, és um
fenômeno de gente. Continuas a mesma pessoa maravilhosa e viva, amiga e
empenhada, honesta e pura, maliciosa e moleque; continuas uma pessoa
inteira. (...)"
(texto
de Carlos Scliar
para a orelha do livro Senhora Dona do Baile,
de Zélia Gattai, 1984)
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