O Embaixador da Holanda, Frans van Haren, entre Cildo Meireles e Carlos Scliar, 
por ocasião da entrega do prêmio Prins Claus, concedido a Cildo. (janeiro/2000)

 

"Conhecer Carlos Scliar é conhecer um período importante para a compreensão do fenômeno artístico no Brasil, porque significa conhecer uma pessoa da mais aguda consciência profissional, um artista de decisiva importância numa luta que, concordemos ou não, é básica.
A luta de Scliar, em sua atuação como pintor foi, sobretudo, do ponto de vista da análise não-estética, a luta em um plano que hoje se constitui como núcleo fundamental de discussão. Tratava-se, entre outras coisas, de tornar digno o ato de pintar, ou seja, criar condições para que os artistas pudessem viver de seu trabalho.
Essa luta deu frutos e é agora, portanto, nossa herança.
Mas de que maneira devemos reagir diante dessa herança? Ou a usufruímos e depois de um certo tempo descobrimos que só usufruiremos se nos contentarmos com um estilo (e o estilo é um compromisso que assumimos para sermos entendidos, ouvidos, em suma, respeitados - jamais permitindo que alguém prossiga descobrindo coisas, porque nos obriga a produzir coisas e descobertas já feitas por nós mesmos), ou lutamos contra ela, já que não podemos ignorá-la com os meios e os critérios que temos em mãos. Essas duas soluções não excluem outras.
Penso também que em qualquer começo de caminhada - e acho que estamos nele - todos temos a responsabilidade maior de, ao lado de buscar alianças e afinidades, situar as divergências existentes.
O diálogo com Scliar permite isto."

(Cildo Meireles, agosto/2001)

 

"Dois sentimentos me vêm à memória afetiva logo que penso em Carlos Scliar: gratidão e carinho.
Gratidão por ter sido uma das primeiras pessoas (senão a primeira) a efetivamente (através de aquisições regulares para si, bem como convencendo outros colecionadores a fazê-lo) me possibilitar viver e produzir meu trabalho.
Carinho não só por ter essa atuação se revestido sempre de sua generosa e afetuosa amizade, seu incessante entusiasmo, seus sempre bem-vindos senso de humor e confiante alegria, mas, sobretudo, pelo seu
sempre presente e magnânimo respeito às diferenças entre artistas e diferenças entre indivíduos.
Scliar sempre foi para mim o melhor exemplo de amor à arte e de convivência democrática."

(Cildo Meireles, 1990)

 

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