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Carlos
Scliar
Cadernos de Guerra - 1944/45
*texto de Rubem Braga |
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Scliar, na
preparação de sua exposição, em 1944
véspera do embarque com a FEB
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"Não,
em 2.300 homens não há 2.300 heróis. Há muito poucos heróis, e vi
alguns; e o que mais me espanta neles é seu ar de homens comuns, e, mais
do que o ar, é serem eles homens comuns. Numa hora em que os outros
hesitam, ou se deixam tomar pelo furor das coisas, o herói resiste, e
vai, e repete dentro e fora de si mesmo o gesto do homem comum, e insiste
neste gesto com um surdo desespero. É um gesto de fraternidade com o
destino mais duro e melhor, e ele existe dentro de qualquer um; o herói
representa-o numa patética teimosia, ele é o homem comum que se desdobra
em um friso de minutos, horas e dias que então ficam eternos. Ele dá o
lance, e o agüenta para sempre." |

Castel di Casio -
2.12.1944
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Porreta Terme -
2.2.1945 |

Porreta Terme -
21.12.1944 |
| "Em
alguns desenhos de Carlos Scliar eu revejo esse sentimento de tristeza
monótona da guerra. Fértil em ligação humana, forjando dedicações
que são mais ou menos que humanas, que remontam ao puro instinto animal,
a guerra é também uma terrível professora de solidão."
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Francolise - 5.7.1945 |

Alessandria - 8.5.1945 |

Alesandria - 13.5.1945 |

Gaggio Montano - 2.4.1945 |

Gaggio Montano - 16.3.1945
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Castel di Casio - 5.12.1944 |
| "Na
manhã seguinte já se acendia o fogo da lareira; e aos poucos ia outra
vez assumindo o governo de seu reino superpovoado, impondo a sua ordem
austera sobre aquela extraordinária família. Quando as granadas
rebentavam pelo quintal, ela não interrompia suas tarefas de dona de
casa, como se toda a sua vida houvesse vivido entre explosões (...) E um
dia, quando os homens partiam com sua tralha enorme, depois de ajudar, com
ar severo, a faina da mudança, ela se recolhia a um canto - e
chorava."
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Gaggio Montano - 2.4.1945 |

Gaggio Montano - 2.4.1945 |

Porreta Terme - 9.2.1945 |

Francolise - 3.7.1945
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Gaggio Montano - 4.4.1945 |
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"Dentro
de sua vida que ora beirava a morte, ora mortificava de pequenos deveres e
restrições, ora tinha o sabor violento de uma aventura, ora
transfigurava seu destino humilde em instantes de poderio e fortuna, ora o
reduzia a simples número de um pobre rebanho maltratado, eu vi mais de
uma vez o pracinha triste. Então a saudade o agarrava com as unhas
fundas; e era às vezes menos saudades da terra e da gente que de um ritmo
perdido, embora um ritmo chato. (...) Forte coisa é a guerra, cuja
rotina, em meio a todas as misérias, embala o homem."
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O cabo Carlos Scliar
voltando da Guerra, em 1945 - Porto do Rio de Janeiro
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