|
Carlos Scliar fazia parte da vanguarda do Rio Grande do Sul e tinha
conhecimentos no meio artístico dos grandes centros - Rio e São Paulo. Ao
chegar ao Rio, ainda na década de 1930, Scliar já sabia a quem procurar.
Seu objetivo era conhecer Portinari, que representava uma espécie de
bandeira da arte moderna, com apelos nacionalistas.
|
|

Carlos Scliar, 19 anos
foto de Rubem Braga
São Paulo, 1940
|
Foi recebido por Portinari que, no entanto, criticou sua pasta,
perguntando-lhe se afinal ele queria fazer ilustração, decoração para
teatro ou se queria ser pintor. Ele queria ser pintor. "Então
não é nada disso que você está fazendo." - disse Portinari,
expondo-lhe vários conceitos e uma série de álbuns de pintores da Escola de
Paris, de Braque, de Picasso...
Depois disso, o jovem Scliar entrou em crise e durante seis meses
freqüentou um curso de engenharia.
Nesta época conheceu Rubem Braga, que o incentivou com suas
análises e observações, ao mesmo tempo criteriosas e afetivas. Scliar
abandonou o curso de engenharia, voltou a pintar e, em 1939, ajudou a
organizar o 2º Salão da Francisco Lisboa.
|
|
Participou da única exposição que a Família Artística Paulista fez
no Rio de Janeiro, em 1940. Participou também, com o grupo de São Paulo, da
primeira Divisão de Arte Moderna do Salão Nacional. Foi também em 1940 a primeira
exposição individual de Carlos Scliar. Recebeu inúmeras críticas favoráveis
e uma severa, de Lívio Abramo.
Tal crítica fez com que se recolhesse, pintando durante um ano sozinho, sem
mostrar seus trabalhos.
O período que sucedeu a esta reclusão foi considerado pelo próprio
artista como o início de uma trajetória. O apoio de Bonadei,
Manoel Martins, Graciliano, entre outros, foi fundamental.
|
|
Em 1941, Scliar muda-se para o Rio de Janeiro, a convite de Jorge Amado. No final deste mesmo ano, Jorge
exilou-se no Uruguai e Scliar foi para a fazenda da família Amado, no sul
da Bahia, onde passou alguns meses.
De volta a São Paulo, trabalhando ativamente em vários projetos,
Scliar começou a fazer o curso de Ciências Sociais na Fundação Armando
Alves Penteado, até que, em fins de 1942, foi convocado pela FEB. Voltou
então ao Rio, no início de 1943, para fazer o curso de Comunicação, que o
levaria a trabalhar em uma das unidades da FEB na Itália, em 1944 - II
Guerra Mundial.
Em contato com a miséria que a guerra produz, iniciou uma nova
etapa em sua pintura: nas horas de folga começou a desenhar e pintar
naturezas-mortas e retratos, onde demonstrava seu amor às coisas simples e
cotidianas. Sua pintura sofreu uma modificação não apenas temática, mas
sensorial.
(foto) Scliar, 1944, preparando-se para
sua primeira exposição individual,
às vésperas de embarcar para a Guerra na Itália.
|

|
|
Em 1947 viaja para a
França, onde fica por quatro anos, integrando-se à Escola de Paris, participando
de congressos, festivais e de movimentos em defesa da Paz entre os povos.
Em fins de 1950 retorna ao Brasil, enfurnando-se no Rio Grande do
Sul, em busca de suas raízes. Nessa ocasião participou da criação do Clube de Gravura, idéia que se espalhou
pelo país e pelo exterior.
A partir de 1952, um pequeno grupo vinculado a Bagé (RS) passou a
trabalhar naquela cidade e nas estâncias vizinhas. Os temas ligados à vida,
costumes e paisagens locais passam a ser preocupação desse grupo. Durante
seis anos passam largos períodos desenhando, gravando e pintando temas
gaúchos.
|
|
Os trabalhos realizados durante a década de 50, regidos pelo rigor,
permitiram a Scliar, artista autodidata, o necessário aprimoramento de sua
produção artística. Foi a década do amadurecimento
do artista. Depois de tanta história, de tantas aventuras, de tanto
trabalho, aos 40 anos de idade encontrava-se em condições, no início dos
anos 60, de promover a síntese de todas as suas experiências e realizar uma
obra que correspondesse aos seus anseios e expectativas.
|

|
Em 1955, Scliar decidiu reunir
material e mostrá-lo no eixo Rio-São Paulo.
Voltou a trabalhar em artes gráficas. Buscava, através das
naturezas-mortas, paisagens e retratos, chegar à simplicidade do que
considerava essencial.
Em 1956, a
convite de Oscar Niemeyer, Scliar embarca com entusiasmo no projeto de “Orfeu
da Conceição”, poesia de Vinícius de Moraes transformada em peça musical
pioneira. Todo o parte gráfica da peça e as ilustrações do livro, são de
autoria de Scliar.
|
|
|
|

Scliar e Glauco Rodrigues, 1958, festa de lançamento da Revista Senhor
|
De 1958 a
1960 foi diretor de arte da revista Senhor,
seu último trabalho profissional no setor gráfico. Desde sua exposição na
Galeria Tenreiro, em abril de 1960, vinha
vendendo seus trabalhos com regularidade. Saiu da revista em junho de 1960,
já como artista contratado da Petite Galerie, e passou a dedicar-se somente à pintura. Seus
trabalhos aumentaram de formato, passando para dípticos
e trípticos - formas primeiras de se fazer
painéis.
Scliar investiu, então, numa
arte de caráter figurativo, regido pela disciplina e pelo rigor do desenho,
falando das particularidades e das diferenças sociais marcantes num país
subdesenvolvido. Os anos do pós-guerra tinham dado ao artista a
possibilidade de travar contato com a história da arte ocidental, com a
modernidade, com os cubistas e com Morandi, além,
é claro, de Arpad Szenes e Maria Helena Vieira da Silva.
|
|
Os anos 60 fizeram aflorar um artista sensível, sintonizado com o
seu povo e com o mundo em que vive. Sua formação humanista, o espaço
cubista, a atmosfera metafísica de Morandi, o
rigor do desenho perseguido nos clubes de gravura e uma espécie de
sensibilidade "elliotiana" a
trabalhar com a noção do tempo de uma maneira dinâmica e questionadora,
tudo isso foi formando, até o fim da vida, a personalidade do artista.
Descobrir a beleza das coisas simples, fazer da modernidade um exercício
constante, uma disciplina de trabalho - é esse o artista que o mercado de
arte, surgido com a criação das primeiras galerias de arte comerciais,
descobre no início dos anos 60.
|
|
Nessa época, dois fatores
atuaram de modo intenso na vida e, por conseguinte, na obra de Carlos
Scliar: o primeiro foi a oportunidade de morar e
trabalhar na cidade de Cabo Frio, área de ensolarada beleza do
litoral fluminense. Para um artista comprometido com a
técnica de observação da paisagem, a vivência cotidiana na Região dos
Lagos, longe do burburinho e das mazelas típicas da cidade grande, fez com
que suas composições se enriquecessem, adotando soluções mais variadas e
harmônicas entre as áreas de luz e sombra, deixando-se sensibilizar ainda
mais pela relação entre os tons quentes e frios, elaborando o movimento das
formas e pesquisando as texturas da matéria, aproveitando-se com mais
liberdade e emoção de amplas áreas da cor clara e limpa que a natureza do
local lhe sugeria, unindo, nas diversas marinhas executadas desde então,
essa luminosidade, essa atmosfera matinal e radiante, com uma permanente
tranqüilidade e placidez dos objetos.
|

Scliar e amigos em frente à casa de
Cabo Frio, 1968
– entre eles o pintor José de Dome
(primeiro sentado à esquerda)
|
|
|
|

|
Outro fator decisivo na vida
de Scliar, com repercussão intensa sobre todo o seu trabalho, foi a descoberta, em 1961, da cidade histórica de Ouro
Preto, em
Minas Gerais. Poucas vezes uma região marcou tanto a obra
de um artista brasileiro quanto a antiga Vila Rica
o fez com o artista gaúcho. A arquitetura barroca, a atmosfera misteriosa e
o espírito contido e silencioso do homem que habita a antiga região de
extração do ouro atuaram de maneira impactante na
alma do artista, homem de fronteira, judeu, filho de imigrantes. O
"tempo psicológico" da obra de Scliar já não caminhava mais
sozinho. Havia a ele agregada, perspassando todo
e qualquer quadro seu, a criação de um tempo real, paralelo, perdido na
história; um tempo quase esquecido por todos. A pintura de Scliar assume
essa função, esse compromisso: resgatar a imagem, avivar a memória,
relembrar.
(foto) Scliar na varanda da casa em Ouro Preto, 1970
|
|
A utilização da colagem reforça esse espírito, essa questão. É significativo
assinalar que essa técnica surge na obra de Scliar numa pintura com o
sugestivo título de "Saudade". Essa obra desencadeou uma série de
trabalhos onde se incorporam jornais, documentos antigos, livros de reza,
etc. Sobre esse momento, o próprio artista comenta: "Eu achava que
aqueles livros de reza representavam os dois "Brasis" do momento:
de um lado, o Brasil que já erguia Brasília, um Brasil do futuro; do outro,
um Brasil do interior, atrasado, sob a influência de uma Igreja ainda
retrógrada. Meu trabalho representava assim os temas do homem que
trabalha e os livros de reza, o atraso da Igreja. Logo depois de 64,
descobri alguns desses livros comidos pelas traças e pensei que o Brasil
estava sendo também "traçado" por uma economia estúpida,
atrasada. E achava que cada quadro meu deveria oferecer todas as leituras
possíveis, todas as minhas idéias que, a partir daquele momento, eu deveria
transmitir metaforicamente. É claro que hoje sinto que o mais importante da
minha pintura era o lado lírico; o meu amor à vida era sempre o elemento
primordial, o que não impedia que tivesse períodos em que minha pintura
fosse muito sombria, correspondendo aos instantes de desânimo, de injustiça
que se assistia, a partir de 64."
Os últimos anos da década de 60 foram marcados por inúmeras
manifestações políticas entre os diversos setores da sociedade brasileira,
e Scliar esteve presente em todas essas manifestações.
|
|
Em 1970, Roberto Pontual organizou uma grande exposição de Scliar,
demonstrando que o artista não era improvisado, que todo o seu trabalho
mais recente era ancorado numa série de inquietações, de dúvidas e buscas.
Nessa época, Scliar passa a trabalhar com inteira liberdade sobre
todos os temas, ao mesmo tempo que inicia uma
série de pesquisas nas quais insere em seus quadros letras em profusão,
incorporando frases que levavam o público a refletir, num momento em que a
censura foi mais rigorosa no país. A palavra "Pense" entrou
centenas de vezes em seus quadros e Scliar explica por que: "Era um
momento em que as autoridades queriam pensar por nós, subestimando a
capacidade e a inteligência do nosso povo".
(foto) Scliar, 1974, ateliê de Cabo Frio,
processo de colagem
|

|
|
Scliar já vinha, desde 1960, estudando dípticos,
trípticos ou polípticos,
dentro de um sentido clássico, onde cada unidade valia em si como uma peça,
mas que, na realidade, a principal idéia era o conjunto que essas peças
reuniam. Somente em 1966 é que Scliar voltaria a se envolver com projeto de
painéis, executando um para o Banco Aliança, no Rio de Janeiro. Ao longo de
sua carreira, Scliar realizou cerca de vinte painéis de grandes dimensões, instalados
em diferentes cidades brasileiras, onde podem ser vistos e partilhados
pelas comunidades às quais estão integrados.
Em 1973, por exemplo, Scliar foi convidado a executar um painel
destinado à sede da Prefeitura de Porto Alegre (RS). Na verdade são três
painéis, instalados no Salão Nobre, cada um retratando uma fase distinta da
história da cidade. Nesse mesmo ano, fez dois painéis para a Bahia e
recebeu um convite de Adolfo Bloch para execução de dez quadros para a nova
sede da Manchete, no Rio. Há algum tempo Scliar já vinha sonhando em homenagear Ouro Preto;
ofereceu, então, a Bloch, o projeto "Ouro Preto 180º", composto
de dez peças distintas.
A convite de Jorge Amado, Scliar integrou a caravana de amigos do escritor
que foi visitar o sul da Bahia, até Santa Cruz de Cabrália.
Diante da beleza e da importância histórica do local, Scliar declarou a
Jorge Amado seu desejo de fazer um painel sobre a região. Pouco tempo
depois o governo estadual da Bahia encomendou-lhe dois painéis: um sobre
Santa Cruz de Cabrália e outro sobre Porto
Seguro, a serem instalados no Centro Administrativo de Salvador.
O grande projeto de Scliar - "Ouro Preto, 360º" -
finalmente foi realizado, em 1976, para um colecionador de Brasília e hoje encontra-se no Rio de Janeiro. Para o painel destinado à
nova sede da Imprensa Oficial do Rio de Janeiro, em Niterói, Scliar
recuperou o tema "Leia e Pense", sua característica da
década.
|
|

Scliar, 1981, serigrafias
|
Durante toda a década de
70, as pinturas de Scliar cedem cada vez mais espaço à objetividade das linhas,
à clareza da composição, uma espécie de leitura metafórica da situação
política do país. É interessante assinalar que, exatamente no período em
que a arte viu-se obrigada ao refúgio, perseguida pelo autoritarismo, tenha
tido Scliar a oportunidade de reconstruir visualmente a história de nosso
país. Coerente com sua ideologia, jamais o artista cedeu aos apelos do
ufanismo; ao contrário, fez da realidade cotidiana do homem trabalhador
brasileiro o tema principal de sua obra, valorizando assim, com inteligência,
a sensibilidade e a verdadeira imagem de um país que o poder constituído
queria a todo custo apagar.
|
|
A passagem para os anos 80
apresenta um artista mais sensível aos mistérios e aos prazeres da cor. os trabalhos da década anterior assumiam claramente seus
compromissos com a arte gráfica: a clareza das linhas regia o espetáculo. A
cor vestia os objetos como uma pele, ocupando as áreas determinadas pelo
contorno das formas. Sem grandes atropelos ou sobressaltos, lentamente
Scliar vai permitindo à cor libertar-se desses limites: as flores adquirem
movimento, as imagens ficam mais sensuais, uma efetiva tentativa de captar
cada instante do mundo e vivê-lo intensamente, fazendo de cada trabalho um exercício de prazer.
Essa aura de
liberdade dos trabalhos da primeira metade da década de 80 corresponde
também ao espírito da época: o povo reconquistava as ruas e as artes
plásticas libertavam-se das amarras da vanguarda experimental.
|
|
Toda essa alteração no circuito artístico vai ao encontro das
propostas de Carlos Scliar: há muito tempo ele abandonara a idéia de
atrelar-se a compromissos com uma espécie de vanguarda que destruía todo e
qualquer objeto e engendrava a prisão do fazer artístico, demolindo o seu
sistema de comunicação e asfixiando a criatividade através de um rigor
filosófico sufocante. Ao contrário, o artista jamais recusou a
possibilidade de se tornar popular. Num país como o nosso, no qual as
elites alimentam estruturas arcaicas e academizantes
como estratégia de preservação de privilégios, Scliar sempre soube das
dificuldades de ser e atuar como agente da modernidade, por isso optou pela
tradição, para sensibilizar o espectador através do equilíbrio e da
harmonia de formas e cores.
Ao mesmo tempo em que investe na linguagem universal da arte,
Scliar acredita nas suas características, até mesmo regionais. Dentro de
sua proposta de ser ao mesmo tempo um artista universal e brasileiro,
Scliar jamais deixou de investir em diversas técnicas artísticas, de
maneira a ampliar seu público. Como a pintura é, na essência, uma técnica
elitista, Scliar jamais deixou de trabalhar com a gravura, em especial, com
a litografia.
|

Scliar, ateliê de Cabo Frio, década de 90
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Assim, os anos 80 representam o período de maturidade do artista:
menos preocupado com as inovações, a Scliar interessa sedimentar no espírito
e na inteligência das pessoas as conquistas da modernidade. Para tal, o
artista trabalha e retrabalha suas imagens, seu
sensível repertório visual, obtendo novas relações, novos resultados. A série
de trabalhos organizada para a mostra "Território Ocupado"
que se realizou na escola de Artes Visuais do Parque Lage
(RJ) é significativa, uma espécie de síntese desse período.
Outro momento significativo é a série de desenhos, gravuras e pintura
realizada em Angra dos Reis (RJ) sob encomenda da empresa Verolme,
em 1984. Diante da paisagem luxuriante dessa região, Scliar resgatou o traço rápido,
o gesto veloz, a herança expressionista manifestada nos desenhos de guerra e
produziu uma série de intensa beleza e espírito contemporâneo.
|

Scliar em Cabo Frio,
1996
pintando "Ceia"
|
Ao longo dos anos, ainda como parte da fidelidade a si mesmo,
Scliar tem-se notabilizado pelo emprego sistemático da colagem - que em seu
caso, mais que uma técnica, é um recurso expressivo, que passa a
fazer parte de seu próprio recado. Como para os cubistas, a colagem sempre
teve a função de evidenciar a autonomia da pintura, através da evidência da
superfície, do suporte.
Nos anos 90, a
colagem se enriqueceu de um caráter lúdico, que se faz também permanente
invenção. Numa tela aparece, como forma recortada
em negativo, uma superfície que vai aparecer numa outra, aplicada em
positivo; uma "lei de Lavoisier" da poética: nada se perde,
tudo se transforma. A partir de 1994, Scliar quis homenagear nossos músicos
eruditos, alimentados pelas nossas raízes populares: passa a incluir
partituras musicais entre os elementos de colagens.
Através de rosas, bules,
lamparinas, berinjelas, colheres de pedreiro ou lagunas luminosas, aspira a
oferecer um espaço e um tempo de vivências menos angustiantes que os do
dia-a-dia, para o homem. É dessa época a declaração do artista: " Os meus temas refletem a vontade de mostrar cada
momento de amor às coisas que me rodeiam. Acredito que hoje meu trabalho
está começando a tomar consciência de possibilidades que ainda penso usar
durante mais vinte ou trinta anos. Tenho consciência de que aquilo que faço
é somente uma parcela do que ainda poderei fazer."
|
|
|
|
No ano de 1999 e parte de 2000, Scliar dedicou-se à criação da
série comemorativa dos 500 anos do Brasil, desafio que exigiu-lhe
uma atividade tão intensa que acabou por abalar sua saúde. Também esse
desafio foi vencido, resultando num álbum onde a síntese consciente de um
Brasil sofrido convive com uma intensa e poética visão da vida e da arte.
Ainda em 2000, Scliar foi convidado a expor seus "Cadernos de Guerra 1944-1945"
e a "Redescoberta do Brasil" no Museu Morandi,
em Bolonha, Itália, exposição que também foi vista em Roma .
Em 2001, a
trajetória vibrante do pintor Carlos Scliar foi coroada com sua última
exposição, Scliar -
80 anos, a cuja inauguração esteve presente, no Museu Nacional
de Belas Artes (RJ), mostra que apresenta quadros pintados durante sua
enfermidade. Nesse período, já adoentado, mas com uma produção impressionante,
um repórter que o entrevistava perguntou em quanto tempo ele pintava um
quadro; Scliar, tranqüilamente, respondeu: "Em uma hora e 80
anos".
|

Scliar e o maestro Edino Krieger, no momento em que o pintor grava suas mãos para
a Calçada da Fama do Museu da Imagem e do Som (RJ)
|
|
Carlos Scliar faleceu no dia 28 de abril de 2001, no Rio de
Janeiro, onde foi cremado. As cinzas, atendendo a seu pedido, foram
lançadas no mar de Cabo Frio, por ocasião da inauguração do Instituto Cultural Carlos
Scliar - concretizando, assim, mais um
sonho, dos tantos que nasceram de sua fertilíssima criatividade.
|
|
|
|
|